Ronaldo Barbosa recebe Título de Cidadão do Amazonas por trajetória dedicada à cultura e ao Boi Caprichoso
O compositor Ronaldo Passos Barbosa, um dos nomes mais importantes da história musical do Festival Folclórico de Parintins, recebeu nesta quarta-feira (19) o Título de Cidadão do Amazonas, em solenidade realizada no plenário Ruy Araújo, da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM).
A homenagem reconhece décadas de contribuição à cultura amazonense e à construção da identidade musical do Boi-Bumbá Caprichoso. Paraibano de nascimento, Ronaldo escolheu a Amazônia como território de vida, pesquisa e criação, transformando experiências vividas no interior do estado em versos, toadas e obras que atravessaram gerações.
Natural de Campina Grande, na Paraíba, Ronaldo Barbosa é odontólogo, sociólogo, compositor, mestre do saber e do fazer cultural e baluarte do Boi-Bumbá Caprichoso. Ainda menino, na região do Pajeú, teve contato com cordelistas, versadores e cantadores, referências que ajudaram a moldar o lirismo presente em sua produção artística.
No fim da década de 1970, chegou à Amazônia e fixou residência em Parintins durante o período em que trabalhou na Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A convivência com povos originários e as viagens por diferentes aldeias do Norte do país passaram a fazer parte de sua formação e, posteriormente, de sua obra.
Da vivência amazônica para a arena
No Caprichoso, Ronaldo Barbosa ajudou a ampliar os caminhos da toada ao levar para a arena temas relacionados à ancestralidade, espiritualidade ribeirinha, preservação ambiental, cultura e direitos dos povos originários.
Entre as inovações associadas à sua trajetória está o toque de ritual apresentado em “Hurequeí (Ritual Karajá)” e a inserção de uma voz feminina na arena na toada “Amazônia Yakamaé”, em 1997.
Ronaldo também se tornou o primeiro compositor a alcançar a marca de 100 obras apresentadas no Festival de Parintins. O repertório inclui clássicos como “Saga de um Canoeiro”, “Fibras de Arumã”, “Rios de Promessa”, “Mundurucânia”, “Amazônia Catedral”, “Ritual da Vida”, “Grito das Águas”, “Terço Caboclo”, “Os Maracás do Rio Negro”, “Hutukara Yanomami” e “Mothokari”.
Em 2026, o compositor acrescentou “Cardume de Estrelas” à lista de obras apresentadas no festival.
Boa parte dessa produção nasceu da própria experiência de Ronaldo na Amazônia. “Os Maracás do Rio Negro”, por exemplo, foi inspirada em um casamento intertribal presenciado pelo compositor em São Gabriel da Cachoeira, transformando uma experiência vivida em poesia e música.
“Uma nação azul e branca”
Durante a solenidade, Ronaldo destacou o significado da homenagem e afirmou que o reconhecimento também representa a comunidade que ajudou a construir sua trajetória no Amazonas.
“Quero agradecer a Alessandra Campelo por abrir as portas desse egrégio plenário para dar voz ao lirismo, à poesia e à cultura, porque um povo sem cultura é um povo sem identidade, não tem história, não tem memória, não tem origem, não tem crença. Eu digo que um povo sem cultura é uma árvore sem raiz e Alessandra, você com essa propositura, você não traz o Ronaldo Barbosa só aqui para dentro, você traz uma nação azul e branca toda, você traz uma família inteira para cá”, afirmou.
Com a entrega do título, o Amazonas oficializa uma relação construída ao longo de décadas: a de um artista que nasceu na Paraíba, mas encontrou na Amazônia a matéria-prima para uma das trajetórias mais marcantes da música do Boi-Bumbá Caprichoso.











