Festival de Parintins

Após acidente fatal, Festival de Cirandas terá disputa entre apenas duas agremiações

Flor Matizada mantém apresentação nesta sexta-feira (28), mas não concorre ao título após morte de trabalhador durante montagem de alegoria

A 28ª edição do Festival de Cirandas de Manacapuru terá apenas duas agremiações na disputa pelo título deste ano. Uma reunião realizada na tarde desta sexta-feira (28) entre representantes do Governo do Amazonas, Prefeitura de Manacapuru, órgãos de segurança, Ministério Público e diretorias das cirandas definiu que Guerreiros Mura e Tradicional seguem concorrendo ao campeonato.

A Flor Matizada, que abre a programação desta noite, também vai se apresentar no Parque do Ingá, o Cirandódromo, mas sem contabilização de pontos.

A decisão ocorreu após a morte do artista Jone Salgado, de 45 anos, durante os trabalhos de montagem de uma alegoria da Flor Matizada. O acidente aconteceu na tarde desta sexta-feira (28), no Parque do Ingá.

Segundo a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, capacete e cinto de segurança estavam disponíveis no local, mas não estavam sendo utilizados pelo trabalhador no momento do acidente. A pasta informou ainda que o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) havia realizado uma vistoria preventiva antes do ocorrido para verificar a presença dos equipamentos de segurança exigidos, que, segundo a Secretaria, estavam regulares.

As circunstâncias do acidente serão investigadas pela Polícia Civil do Amazonas, por meio da Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Manacapuru, que instaurou um Inquérito Policial para apurar o caso.

Reunião define futuro da competição

A decisão de manter a apresentação da Flor Matizada, mas retirá-la da disputa, foi tomada durante uma reunião realizada na tarde desta sexta-feira.

Participaram representantes da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Prefeitura de Manacapuru, Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Polícia Civil, Ministério Público do Amazonas (MP-AM), Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), Secretaria Municipal de Saúde de Manacapuru (Semsa-MPU), Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (Crea-AM), Corpo de Bombeiros e das três cirandas.

Com a decisão, a Flor Matizada entra na arena às 21h30 desta sexta-feira (28), mas não terá notas contabilizadas. No sábado (29), será a vez dos Guerreiros Mura, enquanto a Tradicional encerra as apresentações no domingo (30).

A apuração das notas está prevista para segunda-feira (31).

Solidariedade

Após a confirmação da morte, as cirandas que permanecem na disputa manifestaram solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da Flor Matizada.

Os Guerreiros Mura publicaram uma nota de pesar nas redes sociais e lamentaram a morte do artista, desejando força e conforto aos familiares e amigos.

A Tradicional também se solidarizou com a comunidade da Flor Matizada e com os familiares de Jone Salgado diante da fatalidade.

A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa informou que também presta apoio aos familiares e aos integrantes da agremiação e que acompanha as atividades do festival para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

Acidente voltou a marcar a Flor Matizada

A tragédia desta sexta-feira (28) também remete a um acidente ocorrido durante o Festival de Cirandas de 2022. Na noite de 28 de agosto daquele ano, um guindaste que sustentava uma alegoria da Flor Matizada despencou durante a apresentação da agremiação no Parque do Ingá. Ao todo, 23 pessoas ficaram feridas. Entre elas estava a cirandeira Vivian Ramos da Silva, que morreu sete dias depois, aos 24 anos, após permanecer internada em estado grave.

Na ocasião, a organização decidiu cancelar a disputa pelo título, e o 24º Festival de Cirandas terminou sem campeão. As notas atribuídas pelos jurados às três agremiações foram incineradas.

Os dois acidentes, porém, ocorreram em circunstâncias diferentes: em 2026, a morte aconteceu durante a montagem de uma alegoria; em 2022, a tragédia ocorreu durante a apresentação da Flor Matizada. O histórico, no entanto, faz com que o acidente desta sexta-feira volte a colocar a segurança nas estruturas do festival no centro das atenções.

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