Cultura Amazônica

Boi Garanhão conquista o título do Festival Folclórico do Amazonas após 12 anos

Agremiação venceu o 68º Festival Folclórico do Amazonas com o tema “Florestania”; Corre Campo ficou em segundo e anunciou saída da disputa

O Boi Garanhão voltou ao topo do Festival Folclórico do Amazonas após 12 anos. A agremiação foi consagrada campeã do 68º Festival, encerrando um longo jejum de títulos e levando a comunidade, a torcida e os integrantes do boi à comemoração logo após a apuração.

A conquista foi resultado de um trabalho desenvolvido ao longo do ano e marcado pela mobilização da comunidade. Para o presidente do Garanhão, João Paulo Valente, o título representa o resultado do esforço coletivo que envolveu brincantes, artistas, torcida e dirigentes.

“Foi com muita força de vontade, com toda a força de vontade da nossa comunidade, da nossa galera, da nossa torcida e de todo mundo que faz o Boi Garanhão acontecer”, afirmou.

“Florestania” levou povos da floresta para a arena

Na disputa deste ano, o Garanhão apresentou o tema “Florestania”, conceito relacionado à cidadania dos povos da floresta e à valorização dos conhecimentos e modos de vida tradicionais da Amazônia.

De acordo com João Paulo Valente, a proposta foi construída a partir da valorização dos povos originários e da necessidade de discutir a preservação da floresta e da vida na Amazônia.

“Florestania é a cidadania dos povos da floresta. É se voltar para os povos originários, para os ensinamentos de defesa da floresta, da preservação da vida e da floresta”, explicou.

A cunhã-poranga Tàmires Assis também comemorou a conquista e destacou o trabalho realizado pela agremiação desde o ano passado.

“É sensação de dever cumprido”, declarou.

Segundo ela, a disputa pelo título foi acirrada, e a vitória representa o resultado de meses de preparação.

Sobre o tema apresentado pelo boi, Tàmires destacou a força da mensagem levada para a arena.

“Florestania é um tema muito forte, muito complexo e muito lindo”, afirmou.

Corre Campo fica com o segundo lugar

O Boi Corre Campo terminou o festival na segunda colocação. Após a apuração, o presidente da agremiação, Leon Medeiros, parabenizou o Garanhão pela conquista e avaliou que o grupo conseguiu apresentar um espetáculo superior ao realizado na edição anterior.

“O Corre Campo, mais uma vez, fez um grandioso espetáculo. Se superou, superou a apresentação do último ano. Em relação à apuração, dou meus parabéns ao boi campeão, o Garanhão”, afirmou.

Apesar da segunda colocação, o dirigente avaliou que o Corre Campo cumpriu seu papel diante da comunidade e da torcida.

“Fez um trabalho digno para a sua comunidade, para a sua torcida. Tenho certeza que todos estão felizes com o trabalho entregue dentro da arena. Não com o resultado, porque ninguém gosta de ir em segundo lugar”, disse.

Corre Campo anuncia saída do Festival Folclórico

Logo após a apuração, Leon Medeiros anunciou que o Corre Campo pretende deixar o Festival Folclórico do Amazonas e buscar um novo caminho para a agremiação, com maior independência financeira e novas parcerias.

“O Corre Campo se retira do Festival Folclórico do Amazonas para caminhar com as próprias pernas. E não é uma opinião somente do Corre Campo. Os demais bois também vão seguir esse mesmo caminho para que a gente possa buscar independência, buscar mais recurso, buscar mais parcerias”, afirmou.

Segundo o presidente, a decisão também está relacionada à necessidade de ampliar a visibilidade dos bois de Manaus. Medeiros citou o próprio Corre Campo, que possui 84 anos de história, mas ainda seria desconhecido por parte da população.

“Tem gente que ainda, com 84 anos, não conhece o Corre Campo. A gente precisa parar agora, repensar tudo o que a gente está fazendo em relação aos bois de Manaus e caminhar sempre para frente”, declarou.

A saída do festival, segundo Medeiros, não significa necessariamente o encerramento das apresentações do Corre Campo. O formato das próximas atividades ainda dependerá das decisões da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e da ManausCult em relação à categoria.

“As apresentações não se limitam. Eu não sei como é que o secretário vai fazer, a SEC e a ManausCult vão fazer em relação à categoria dos bois de Manaus, se ela é extinta ou não”, explicou.

Polêmica com Boi Galante

Um dos destaques negativos da edição deste ano foi a falta da apresentação de uma das agremiações. O Boi Galante não entrou na arena, justificando problemas internos no boi. A diretoria afirmou que o Galante teve dificuldades nas alegorias e uma suposta falta de repasses.

Integrantes do boi chegaram a entrar na arena e brincar de boi junto com a banda faltando apenas 30 minutos para o fim do tempo regulamentar.

A Secretaria de Cultura ainda avalia possíveis penalidades para a agremiação.

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